quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Silêncio

Dedicado à Mariana Rodrigues.


Hoje foi um dia e tanto na cidade de São Paulo. Fazia 17 anos, 9 meses e 13 dias que a humanidade não dizia uma palavra. Os bebes nascem e não choram mais. Os jogos de futebol são silenciosos. Não há mais brigas no trânsito, as pessoas não se xingam mais. Simplesmente o ser humano se sensibilizou com o caos que havia antes e resolveu fazer direito. O voto de silêncio foi tão forte que todos perderam a capacidade de falar. Não há mais discursos hipócritas de políticos já que não há mais discursos. As nações finalmente se entenderam. Com a falta da palavra, de alguma forma a humanidade percebeu a sua união. Faz anos que não se falam mais em guerra e o problema da fome foi resolvido.  Dentro desse profundo silêncio, a civilização global se agrupou mais e mais... até hoje.

Ao ouvir a palavra proferida, testemunhas afirmam que o repórter que filmou entrou em choque. As pessoas que estavam ao redor tiveram que ser hospitalizadas. Uma delas alegou através de suas anotações que o som da voz humana arranhou o seu ouvido de tal forma que ela sentiu como se estivesse perdendo a virgindade. As crianças que souberam da novidade passaram o dia inteiro tentando imitar a palavra, mas não conseguiam nada mais que gemidos. A bolsa de valores entrou em crise. Será que com o retorno da palavra a sociedade voltará a ser o que era? Pequenos furtos voltaram a acontecer. As pessoas estavam assustadas. Havia um medo de voltar.

O presidente, surpreso com o acontecimento, teve que cancelar sua viagem. Ele foi à visita do comunicador. A imprensa do mundo inteiro acompanhou o encontro dos dois. O presidente pedia que ele tentasse falar novamente. Nosso amigo tentava, tentava e nada. A torcida estática: esperava, esperava.

O mundo parou.

Com muito esforço, o poeta de uma palavra só, inspira fundo e pronuncia novamente: “Ronaldo”.

2 comentários:

Gabriel Sant'Ana Wainer disse...

nonsense de bom.

Anônimo disse...

baseado na vida do poeta Renato de Salles

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